I do love your lack of all expression
Find it not at all distressing
Life was tailor made for our refreshment
While life is rarely lacking dust
Covered with details and fuss
You are one of those creatures who simply are
Simply beyond why
Simple as okay
Let me provide whatever bravery's required
Whatever necessary fraction
But nothing more than it takes to provoke a reaction
Daydream your way around the room
Through intersections and aggressions
You are one of those creatures who simply are
Simply beyond why
Simple as okay
Pay enough attention to be fair
No need to get up from your chair
Shower me with evidence of pleasant disposition
Daydream your way around room
Walk night past frowns and gloom
You are one of those creatures that simply are
Quinta-feira, Fevereiro 09, 2012
Terça-feira, Setembro 20, 2011
Protágoras de Abdera e João Cabral de Melo Neto
Tanto Protágoras quanto João Cabral tocam em posições relativistas na compreensão do homem (ser humano) na sociedade. Eles estabelecem o homem como parâmetro daquilo que é formalizado no mundo:
"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são" (Protágoras de Abdera).
Pregão turístico do Recife
Aqui o mar é uma montanha
regular, redonda e azul,
mais alta que os arrecifes
e os mangues rasos ao sul.
Do mar podeis extrair,
do mar deste litoral,
um fio de luz precisa,
matemática ou metal.
Na cidade propriamente
velhos sobrados esguios
apertam ombros calcários
de cada lado de um rio.
Com os sobrados podeis
aprender lição madura:
um certo equilíbrio leve,
na escrita, da arquitetura.
E neste rio indigente,
sangue-lama que circula
entre cimento e esclerose
com sua marcha quase nula,
e na gente que se estagna
nas mucosas deste rio,
morrendo de apodrecer
vidas inteiras a fio,
podeis aprender que o homem
é sempre a melhor medida.
Mais: que a medida do homem
não é a morte mas a vida.
(João Cabral de Melo Neto)
"O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são" (Protágoras de Abdera).
Pregão turístico do Recife
Aqui o mar é uma montanha
regular, redonda e azul,
mais alta que os arrecifes
e os mangues rasos ao sul.
Do mar podeis extrair,
do mar deste litoral,
um fio de luz precisa,
matemática ou metal.
Na cidade propriamente
velhos sobrados esguios
apertam ombros calcários
de cada lado de um rio.
Com os sobrados podeis
aprender lição madura:
um certo equilíbrio leve,
na escrita, da arquitetura.
E neste rio indigente,
sangue-lama que circula
entre cimento e esclerose
com sua marcha quase nula,
e na gente que se estagna
nas mucosas deste rio,
morrendo de apodrecer
vidas inteiras a fio,
podeis aprender que o homem
é sempre a melhor medida.
Mais: que a medida do homem
não é a morte mas a vida.
(João Cabral de Melo Neto)
Domingo, Setembro 18, 2011
O Meu Amor Chorou (Paulo Diniz)
Momento descontraído com os amigos em Aldeia - PE.
O meu amor chorou de Paulo Diniz from Felipe Batista on Vimeo.
Domingo, Junho 05, 2011
Estrangeiro em Mim (Badi Assad)
Se fecho os olhos ainda me sinto como antes
Antes quando o olhar era profundo
Nossa fala não como gomo de fruta cítrica
Antes quando os olhos eram apenas arcos
Mas tempo passa e a gente muda
E onde havia mar hoje nem aquário
E ternos abraços em vestidos
Nem no armário
Você, você, você
Estrangeiro em mim
Se fecho os olhos ainda me sinto como antes
Antes quando o olhar era profundo
Nossa fala não como gomo de fruta cítrica
Antes quando os olhos eram apenas arcos
Mas tempo passa e a gente muda
E onde havia mar hoje nem naufrágio
E ternos abraços em vestidos
Nem no armário
E tão triste sentir o seu verso esdrúxulo, não mais idílico
Laços evitando em serem nós
E o meu ventre que aprendeu a ser ventríloquo
E tão triste sentir sua língua revelando outras linguagens
O seu peso não afastando os meus pesares
Tatos não mais como tatuagem
Mas tempo passa e a gente se cansa
De ser lança na lua cheia de dragão
E o nosso sol se expõe na solidão
Você, você, você
Estrangeiro em mim
Antes quando o olhar era profundo
Nossa fala não como gomo de fruta cítrica
Antes quando os olhos eram apenas arcos
Mas tempo passa e a gente muda
E onde havia mar hoje nem aquário
E ternos abraços em vestidos
Nem no armário
Você, você, você
Estrangeiro em mim
Se fecho os olhos ainda me sinto como antes
Antes quando o olhar era profundo
Nossa fala não como gomo de fruta cítrica
Antes quando os olhos eram apenas arcos
Mas tempo passa e a gente muda
E onde havia mar hoje nem naufrágio
E ternos abraços em vestidos
Nem no armário
E tão triste sentir o seu verso esdrúxulo, não mais idílico
Laços evitando em serem nós
E o meu ventre que aprendeu a ser ventríloquo
E tão triste sentir sua língua revelando outras linguagens
O seu peso não afastando os meus pesares
Tatos não mais como tatuagem
Mas tempo passa e a gente se cansa
De ser lança na lua cheia de dragão
E o nosso sol se expõe na solidão
Você, você, você
Estrangeiro em mim
Segunda-feira, Maio 16, 2011
Santa Cruz de Corpo e Alma
A espinha dorsal do êxito tricolor foi construída na Ilha do Retiro. No primeiro jogo da final do Campeonato Pernambucano, o Sport Club do Recife transbordava de torcedores histriônicos, inflamados pela ressurreição da equipe rubro-negra na fase final do torneio, após sobrepujar o seu rival centenário: o Clube Náutico Capibaribe. O proustiano alvirrubro, aquele da melhor campanha classificatória, fez jus ao seu destino trágico, feneceu ao poderio do Sport que tanto lhe foi algoz, naufragou como um HMS Birkenhead. Restou ao Náutico os bastidores: ver o dérbi entre Sport e Santa Cruz, diluído na grande massa tricolor, a massa forte por sua presença e por sua devoção quase védica. O Náutico não apenas viu o hexacampeonato estadual, o seu maior trunfo, o seu slogan-mor, ameaçado pela terceira vez em trinta e seis anos. Além disso, o Náutico cumpriu à risca aquilo que já sabemos: que no Clássico das Multidões não há espaço para neutralidades axiológicas, não há lugar para indiferenças. Entre Santa Cruz e Sport, o alvirrubro há de escolher uma meta para suportar. E convenhamos: ela certamente não será rubro-negra...
Na Ilha do Retiro, a pressão do Sport assolava o Santa Cruz tal qual um desembarque da Normandia. E foi em um momento insólito, aos quatro segundos da primeira etapa, que o zagueiro Thiago Mathias cometeu uma falta mais calculada do que uma escala pitagórica. Maior alegoria da intencionalidade não haveria! Portanto, nada mais lancinante para um torcedor rubro-negro do que aguardar piamente a expulsão do beque tricolor. Porém, uma falta aos quatro segundos do primeiro tempo traz consigo um constrangimento intrínseco, uma potencial desconsideração. E foi o que aconteceu. O árbitro da partida marcou a infração do jogador do Santa Cruz, porém sequer declarou um cartão para o defensor do time do Arruda. Feito isso, não houve demoras para a torcida rubro-negra elegê-lo como o “inimigo do povo”.
O Sport não contava com um incidente de arbitragem tão precoce, no entanto, tampouco esperava um cometa partir dos pés do atacante Gilberto e adormecer nas redes do seu sólido goleiro Magrão. Não daquela distância, não com aquela intensidade! O Santa Cruz fez o que já fizera nos dois primeiros clássicos. Contou com a sua marcação minuciosa, analítica, digna de um romance de Tolstoi. A tática do Santa Cruz continha respeito, mas não o medo. Tal foi a postura que imperou na Ilha do Retiro: a do tricolor que jogou o futebol de campeão, que anulou o elenco mais caro do campeonato, elenco, por sinal, caro e ironicamente envelhecido. Não restava mais reviravoltas: o Santa Cruz definiu com o segundo gol do inacreditável Landu. O Sport procurou uma blindagem naquilo que lhe é tão caro: a sua camisa. Mas a malha rubro-negra não foi suficiente; foi neutralizada no láudano da defensa tricolor. Incrível ironia, pois quem ressuscitava era o Santa Cruz, após cinco anos de malogros, ingestões e indigestões administrativas. E o time do Arruda se reerguia logo na casa do seu maior rival!
O jogo da volta foi um ensaio weberiano sobre a burocracia. O Santa Cruz defendeu-se como uma escola alemã. E o Sport aniquilado, errava tantos passes quanto um turista dançando frevo. Feliz do tricolor que pôde desfrutar de um plantel dirigido por Zé Teodoro, outrora campeão pernambucano com o Náutico... O Santa Cruz administrou, jogou com o regulamento nas mãos, cobrou tarifas ao Sport, comportou-se como um verdadeiro cartório na segunda partida. E sua burocracia caseira foi suficiente para a vitória do Sport por 1 a 0 não valer nada. Afinal, nada mais inútil, nada mais estéril do que o gol de Marcelinho Paraíba no minuto final! A morte desse gol era anunciada com os berros do mundão do Arruda. Era o Santa Cruz dos anônimos, era o tricolor descendente de Nelson Ferreira e Capiba; era o Santa Cruz de corpo e alma...
Recife, 15 de maio de 2011.
Na Ilha do Retiro, a pressão do Sport assolava o Santa Cruz tal qual um desembarque da Normandia. E foi em um momento insólito, aos quatro segundos da primeira etapa, que o zagueiro Thiago Mathias cometeu uma falta mais calculada do que uma escala pitagórica. Maior alegoria da intencionalidade não haveria! Portanto, nada mais lancinante para um torcedor rubro-negro do que aguardar piamente a expulsão do beque tricolor. Porém, uma falta aos quatro segundos do primeiro tempo traz consigo um constrangimento intrínseco, uma potencial desconsideração. E foi o que aconteceu. O árbitro da partida marcou a infração do jogador do Santa Cruz, porém sequer declarou um cartão para o defensor do time do Arruda. Feito isso, não houve demoras para a torcida rubro-negra elegê-lo como o “inimigo do povo”.
O Sport não contava com um incidente de arbitragem tão precoce, no entanto, tampouco esperava um cometa partir dos pés do atacante Gilberto e adormecer nas redes do seu sólido goleiro Magrão. Não daquela distância, não com aquela intensidade! O Santa Cruz fez o que já fizera nos dois primeiros clássicos. Contou com a sua marcação minuciosa, analítica, digna de um romance de Tolstoi. A tática do Santa Cruz continha respeito, mas não o medo. Tal foi a postura que imperou na Ilha do Retiro: a do tricolor que jogou o futebol de campeão, que anulou o elenco mais caro do campeonato, elenco, por sinal, caro e ironicamente envelhecido. Não restava mais reviravoltas: o Santa Cruz definiu com o segundo gol do inacreditável Landu. O Sport procurou uma blindagem naquilo que lhe é tão caro: a sua camisa. Mas a malha rubro-negra não foi suficiente; foi neutralizada no láudano da defensa tricolor. Incrível ironia, pois quem ressuscitava era o Santa Cruz, após cinco anos de malogros, ingestões e indigestões administrativas. E o time do Arruda se reerguia logo na casa do seu maior rival!
O jogo da volta foi um ensaio weberiano sobre a burocracia. O Santa Cruz defendeu-se como uma escola alemã. E o Sport aniquilado, errava tantos passes quanto um turista dançando frevo. Feliz do tricolor que pôde desfrutar de um plantel dirigido por Zé Teodoro, outrora campeão pernambucano com o Náutico... O Santa Cruz administrou, jogou com o regulamento nas mãos, cobrou tarifas ao Sport, comportou-se como um verdadeiro cartório na segunda partida. E sua burocracia caseira foi suficiente para a vitória do Sport por 1 a 0 não valer nada. Afinal, nada mais inútil, nada mais estéril do que o gol de Marcelinho Paraíba no minuto final! A morte desse gol era anunciada com os berros do mundão do Arruda. Era o Santa Cruz dos anônimos, era o tricolor descendente de Nelson Ferreira e Capiba; era o Santa Cruz de corpo e alma...
Recife, 15 de maio de 2011.
Domingo, Maio 01, 2011
O Amargo Sabor da Vitória
Hoje, o gol sofrido por Glédson simbolizou o malogro do Náutico no Campeonato Pernambucano de 2011. Numa derradeira cena, o goleiro repôs a bola erradamente, entregando-a nas pernas do atacante Bruno Mineiro do Sport. Esse, por sua vez, não fez rodeios: meteu um gol de cobertura, marcando 2 a 1 para a equipe rubro-negra nos Aflitos. O ocaso de Glédson veio à tona, e o goleiro saiu vaiado, crucificado! Ele que fora tão brilhante ao longo do campeonato, falhou barbaramente em um momento crucial para o destino alvirrubro. Mas o Náutico já veio convalescente desde o domingo passado, quando da derrota para o Sport por 3 a 1 na Ilha do Retiro.
O Sport alcançava a semifinal graças ao regulamento que outrora tanto lhe prejudicou. O Leão vinha ferido, pois ainda não vencera um clássico em 2011. E o Náutico, decepcionou. Visivelmente acuado, sofreu 2 gols, mas achou um tento milagroso com o atacante Rogério. Com o escore de 2 a 1, o Náutico regressaria para casa na busca de uma vitória simples, o 1 a 0. Porém, a famosa síndrome dos gols dos últimos minutos apareceu mais uma vez, assolando o Náutico. Aos 44 minutos da segunda etapa, Ciro, até então um coadjuvante na partida, marcava o terceiro da equipe rubro-negra. Portanto, hoje não havia palco mais adequado, mais dramático para o Clube Náutico Capibaribe do que a sua sede, o Estádio Eládio de Barros Carvalho. Foi em pleno gramado dos Aflitos que o Náutico deixou parte dos seus torcedores sob aflição - ao menos aqueles torcedores que ainda acreditavam num êxito alvirrubro, numa esperança romântica - a mesma esperança balzaquiana de Eugènie Grandet que aguardava o retorno do seu amado que nunca veio, ou a mesma esperança de Didi e Gogo num estilo Samuel Beckett.
O Náutico começou bem a partida, explorando o que tem de melhor: o ataque, e marcou 1 a 0 antes dos vinte minutos da primeira etapa. Sua torcida agrilhoada com o hexacampeonato comparecera ao estádio e empurrava o time da Rosa e Silva. Mas o Sport não fez rodeios e empatou logo. Daí pra frente, a galhardia do Náutico entrou em extinção; ficou mais ameaçada do que um mico-leão-dourado. Durante muito tempo da partida, o Náutico não jogou com a camisa. Sim, amigos, a camisa não é apenas o tecido de poliéster que ostenta o escudo bordado de uma equipe de futebol. É a garra, a insistência de um mendigo pedindo moedas, a chatice, o aperreio pungente na área do adversário.
O Clássico dos Clássicos chegava num momento de acusações fora dos gramados, em meio a manobras de dirigentes de um clube contra outro. Mas como respondeu Josep Guardiola a José Mourinho antes do jogo entre Real Madrid e Barcelona no dia 27 de abril: “Nos enfrentaremos no campo”.
No campo, viu-se um Náutico morno no Estádio dos Aflitos. Um time que só ficava à vontade quando sofria desvantagem. Um time que não era mais a potência da fase classificatória do Campeonato Pernambucano, desde a derrota sofrida para o América por 4 a 2, no Clássico da Técnica e da Disciplina.
Hoje, o grande nome da partida foi Kieza, o atacante que marcou 2 gols na vitória do Náutico sobre o Sport por 3 a 2. Mas tal eleição foi ofuscada pela classificação rubro-negra. No entanto, a vitória de hoje foi o último reduto de honra do Náutico. Ser desclassificado pelo seu maior rival em casa, e ainda com a extensão de uma derrota, imporia um fracasso desmesurado para a equipe alvirrubra. E o torcedor do Náutico voltou para casa com a vitória, mas pagou o ingresso pra sofrer. Ele pede pelo sofrimento, sabe que o time fracassa, mas comparece, assim como já compareceu em diversas oportunidades... Além de tudo, o Náutico é um clube proustiano, cujo preceito mais forte é a sua memória. Sem a memória e o tempo perdido, o Náutico não é nada! Aos 2 a 1 do Sport, já se percebia algumas diásporas da arquibancada alvirrubra. Daqueles torcedores que pagavam pra ver, pagavam pra sofrer. Mas ainda havia os masoquistas que esperariam o naufrágio do time, tal qual os marinheiros do HMS Birkenhead.
Agora, o Sport Club do Recife vai novamente à final em busca do seu hexacampeonato. A equipe rubro-negra usará o que tem de melhor: o seu crescimento na fase final. Do outro lado, enfrentará um Santa Cruz heroico, que chegou à final do Pernambucano de 2011 com um elenco financeiramente modesto, porém não menos determinado, e que dispõe do melhor técnico da competição (Zé Teodoro) além da fiel massa tricolor sem rival. A essa altura do campeonato, só encontro lugar para palpites, afinal, “a final é um bicho diferente”...
Recife, 1 de maio de 2011.
O Sport alcançava a semifinal graças ao regulamento que outrora tanto lhe prejudicou. O Leão vinha ferido, pois ainda não vencera um clássico em 2011. E o Náutico, decepcionou. Visivelmente acuado, sofreu 2 gols, mas achou um tento milagroso com o atacante Rogério. Com o escore de 2 a 1, o Náutico regressaria para casa na busca de uma vitória simples, o 1 a 0. Porém, a famosa síndrome dos gols dos últimos minutos apareceu mais uma vez, assolando o Náutico. Aos 44 minutos da segunda etapa, Ciro, até então um coadjuvante na partida, marcava o terceiro da equipe rubro-negra. Portanto, hoje não havia palco mais adequado, mais dramático para o Clube Náutico Capibaribe do que a sua sede, o Estádio Eládio de Barros Carvalho. Foi em pleno gramado dos Aflitos que o Náutico deixou parte dos seus torcedores sob aflição - ao menos aqueles torcedores que ainda acreditavam num êxito alvirrubro, numa esperança romântica - a mesma esperança balzaquiana de Eugènie Grandet que aguardava o retorno do seu amado que nunca veio, ou a mesma esperança de Didi e Gogo num estilo Samuel Beckett.
O Náutico começou bem a partida, explorando o que tem de melhor: o ataque, e marcou 1 a 0 antes dos vinte minutos da primeira etapa. Sua torcida agrilhoada com o hexacampeonato comparecera ao estádio e empurrava o time da Rosa e Silva. Mas o Sport não fez rodeios e empatou logo. Daí pra frente, a galhardia do Náutico entrou em extinção; ficou mais ameaçada do que um mico-leão-dourado. Durante muito tempo da partida, o Náutico não jogou com a camisa. Sim, amigos, a camisa não é apenas o tecido de poliéster que ostenta o escudo bordado de uma equipe de futebol. É a garra, a insistência de um mendigo pedindo moedas, a chatice, o aperreio pungente na área do adversário.
O Clássico dos Clássicos chegava num momento de acusações fora dos gramados, em meio a manobras de dirigentes de um clube contra outro. Mas como respondeu Josep Guardiola a José Mourinho antes do jogo entre Real Madrid e Barcelona no dia 27 de abril: “Nos enfrentaremos no campo”.
No campo, viu-se um Náutico morno no Estádio dos Aflitos. Um time que só ficava à vontade quando sofria desvantagem. Um time que não era mais a potência da fase classificatória do Campeonato Pernambucano, desde a derrota sofrida para o América por 4 a 2, no Clássico da Técnica e da Disciplina.
Hoje, o grande nome da partida foi Kieza, o atacante que marcou 2 gols na vitória do Náutico sobre o Sport por 3 a 2. Mas tal eleição foi ofuscada pela classificação rubro-negra. No entanto, a vitória de hoje foi o último reduto de honra do Náutico. Ser desclassificado pelo seu maior rival em casa, e ainda com a extensão de uma derrota, imporia um fracasso desmesurado para a equipe alvirrubra. E o torcedor do Náutico voltou para casa com a vitória, mas pagou o ingresso pra sofrer. Ele pede pelo sofrimento, sabe que o time fracassa, mas comparece, assim como já compareceu em diversas oportunidades... Além de tudo, o Náutico é um clube proustiano, cujo preceito mais forte é a sua memória. Sem a memória e o tempo perdido, o Náutico não é nada! Aos 2 a 1 do Sport, já se percebia algumas diásporas da arquibancada alvirrubra. Daqueles torcedores que pagavam pra ver, pagavam pra sofrer. Mas ainda havia os masoquistas que esperariam o naufrágio do time, tal qual os marinheiros do HMS Birkenhead.
Agora, o Sport Club do Recife vai novamente à final em busca do seu hexacampeonato. A equipe rubro-negra usará o que tem de melhor: o seu crescimento na fase final. Do outro lado, enfrentará um Santa Cruz heroico, que chegou à final do Pernambucano de 2011 com um elenco financeiramente modesto, porém não menos determinado, e que dispõe do melhor técnico da competição (Zé Teodoro) além da fiel massa tricolor sem rival. A essa altura do campeonato, só encontro lugar para palpites, afinal, “a final é um bicho diferente”...
Recife, 1 de maio de 2011.
Quinta-feira, Abril 28, 2011
Giddens, Derrida, Wittgenstein
Dos textos de Anthony Giddens que eu já lera, “Estruturalismo, pós-estruturalismo, e a produção da cultura” era o que mais me incomodava. Algumas passagens do texto de Giddens carregam algumas polêmicas que parecem eternas. Por exemplo, a afirmação de que o estruturalismo e pós-estruturalismo são tradições (sic) mortas de pensamento já inflama vários entusiastas de um pensamento social tradicionalmente francês. Outra polêmica reside numa empreitada que eu ainda não topei em seguir: considerar a fala como instância prioritária à escrita (apesar das argumentações históricas de Giddens, creio que a discussão de O Império dos Signos, de Roland Barthes, traz à escrita exemplos do seu uso social mais amplo, no caso, os ideogramas japoneses que deslocam o seu sentido para além de questões da fonética, na medida em que não só representam imagens, mas contêm palavras, letras, números em um mesmo signo). Ironicamente, afirmar que a escrita se sobrepõe à fala também me parece algo muito arriscado; aliás, esse será um dos pontos cruciais da crítica de Giddens a Jacques Derrida.
A primeira vez que li o texto de Giddens, foi antes de eu entrar no mestrado em Sociologia. De lá pra cá, pude conhecer melhor várias leituras do estruturalismo, pós-estruturalismo e até do próprio Giddens. Até o final de 2010, o texto de Giddens estava bem quietinho na minha memória. No entanto, quando cursava a disciplina Arte e Política, na Pós-Graduação em Sociologia da UFPE, meu orientador (professor Paulo Marcondes) trouxe à tona alguns tópicos do texto de Giddens, ao frisar que Derrida não conseguiu se livrar de uma lógica estruturalista por completo e que o grande proponente para pensar o uso da linguagem era Ludwig Wittgenstein.
A remissão feita por Paulo me deixou instigado para ler Wittgenstein. E foi o que fiz. Comecei a lidar com os argumentos de Investigações Filosóficas (do segundo Wittgenstein) que deslocam o problema da linguagem para questões relacionais, tanto na instrumentalização quanto no uso contextual aplicado pelos atores sociais. Além disso, convenhamos: a narrativa de Wittgenstein é bem mais atraente do que a de Derrida. Enquanto o primeiro escreve com uma clareza incomparável, o segundo trunca bastante. Tem um amigo meu que diz: "o lance de Derrida era escrever coisas aleatórias pra depois rir em casa dos bestas que tentavam desvendar as suas passagens (risos)". Piadas à parte, achei importante compilar uns trechos de Estruturalismo, pós-estruturalismo e produção da cultura. Portanto, segue na íntegra algumas passagens de Giddens.
“Os escritos de Saussure promoveram uma ‘retirada para o código’ que, desde então, caracterizou os autores estruturalistas e pós-estruturalistas”.
“Os escritos de Derrida são, de certa maneira, o produto mais sofisticado da transição do estruturalismo para o pós-estruturalismo. Apesar de suas obras parecerem, à primeira vista, muito distantes do espírito anglo-saxão, há afinidades estreitas entre elas e as teses apresentadas pelo Wittgenstein da última fase. Ao impugnar a ‘metafísica da presença’, Derrida não se afastou muito, em objetivos ou métodos, da tentativa de Wittgenstein de espiaçar as aspirações da metafísica em Investigações Filosóficas. Para ambos os autores, os objetivos da metafísica não podem ser simplesmente reexaminados ou atualizados: têm de ser ‘desconstruídos’ e não ‘reconstruídos’, pois repousam em premissas enganosas”.
“Não existem essências a serem apreendidas por formulações linguísticas adequadas. Wittgenstein mostra-se tão firme quanto Derrida ao declarar que nem palavras nem sentenças pressupõem algum tipo de imagens mentais correspondentes que lhes deem significação, não mais que os objetos ou eventos do mundo exterior a que certas palavras podem ser aplicadas. Wittgenstein, com certeza, protestaria contra a ambição de Derrida de ampliar o conceito de escrita, mas concordaria com ele em que a língua não deve ser interpretada nos termos das significações subjetivas dos agentes individuais. A rejeição, por parte de Wittgenstein, da tese da ‘língua privada’ não é, obviamente, o equivalente direto da adoção, por parte de Derrida, da ideia de escrita, mas em ambas as instâncias, a língua é necessariamente uma produção ‘anônima’ e, portanto, ‘impessoal’”.
“Se Wittgenstein levou a sério a ideia de diferença, é assunto no mínimo discutível. Ainda assim, em sua elaboração da noção de jogos linguísticos, o ‘espacejamento’ de elocuções e atividades ocupa a posição central. Tanto o caráter retroativo quanto o caráter relacional da língua são ressaltados. Todavia, parece inequívoco que as linhas principais de desenvolvimento da filosofia wittgensteiniana são mais defensáveis que as elaboradas na esfera do pós-estruturalismo. Ao invés de promover uma ‘retirada para o código’, Wittgenstein procura compreender o caráter relacional de significação no contexto das práticas sociais. Sua resoluta dedicação à língua corrente tende a inibir preocupações com poesia, arte ou literatura. Mas não parece haver impedimento lógico visível à extensão das ideias de Wittgenstein para esses domínios, posto que a visão de língua e significação apta a ser extraída de sua filosofia (ou pelo menos de algumas noções básicas dessa filosofia) sejam mais sofisticadas que as oferecidas pelo estruturalismo e o pós-estruturalismo”.
“Para Wittgenstein, a significação dos itens lexicais deve ser buscada na mescla entre língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes na forma de vida. Se, sem dúvida, essa visão deixa de parte alguns problemas fundamentais de significação -, ela representa com certeza uma perspectiva bastante fértil”.
“O caráter insatisfatório da tese da arbitrariedade do signo, tal qual se difundiu pelas tradições estruturalista e pós-estruturalista, empobreceu radicalmente os trabalhos sobre significação que essas tradições poderiam oferecer. A preocupação com os significantes à custa dos significados é, em grande parte, uma ênfase reforçada lexicais deve ser buscada na mescla de língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes nas formas de vida. Se, sem dúvida, essa visão (tal qual o próprio Wittgenstein a formulou) deixa de parte alguns problemas fundamentais de significação implica a apreensão da veracidade de certas classes de declarações -, ela representa com certeza uma perspectiva bastante fértil”.
“Numa comparação entre Wittgenstein e Derrida, vale indagar por que este dá tamanha prioridade ao tema da escrita enquanto aquele pouco se preocupa com sua significação. O zelo de Derrida pela escrita está intimamente ligado à sua rejeição da metafísica da presença (...). Assim, na visão de Derrida, é um erro supor que a escrita seja um modo particular de dar expressão à fala. A escrita - no sentido lato que Derrida empresta ao termo - exprime mais claramente que a fala, a natureza relacional de significação no espaço e no tempo (...). Pode-se alegar que, de fato, Wittgenstein não arrisca o passo seguinte e, como Derrida (e antes dele Heidegger), considera o tempo e o espaço elementos constitutivos dos eventos e objetos. Penso, porém, que não há meio de entender a filosofia de Wittgenstein a não ser presumindo-se que isso faz parte da análise que ele desenvolve”.
“As limitações da visão de escrita, de Derrida, podem ser detectadas quando consideramos o que está implícito em sua ‘temporalidade’ e ‘espacialização’. Sua concepção de ‘escrita’ constitui um desdobramento direto da separação saussuriana entre o significante e o mundo exterior dos objetos e eventos. Derrida participa da ‘retirada para o texto’, o universo dos significantes característico das tradições do pensamento estruturalista e pós-estruturalista como um todo. Seu ‘texto’ é o texto do jogo das diferenças inerentes à significação como tal. Embora a noção de différance torne possível a Derrida apreender a temporalidade, seu tratamento do espaço é puramente nominal. Em outras palavras, embora fale de ‘temporalidade’ e ‘espacialização’, isso vem a dar no mesmo. A ‘extensão’ da escrita, pressuposta no espacejamento de sons e sinais, é o mesmo fenômeno constituído por sua diferenciação temporal. A imagem wittgensteiniana do caráter relacional da significação, tal qual expressa na organização de práticas sociais, não implica o colapso do tempo em espaço. Tempo e espaço não entram na estruturação da significação através da dimensão ‘plana’ da escrita - ainda que conceituada como proto-escrita -, mas através da contextualidade das próprias práticas sociais. Mas o que importa não é o ‘uso’ e sim o processo de usar palavras e frases nos contextos de conduta social. A significação não é construída pelo jogo dos significantes, mas pela intersecção da produção de significantes com objetos e eventos do mundo, enfocados e organizados pelo agente. A ser isso correto, como penso que é, a prioridade da escrita sobre a fala, postulada por Derrida, tem de ser questionada.
GIDDENS, A. Estruturalismo, pós-estruturalismo e a produção da cultura. In _____.; TURNER, J. Teoria social hoje. São Paulo: Unesp, 1999. p. 281-320.
A primeira vez que li o texto de Giddens, foi antes de eu entrar no mestrado em Sociologia. De lá pra cá, pude conhecer melhor várias leituras do estruturalismo, pós-estruturalismo e até do próprio Giddens. Até o final de 2010, o texto de Giddens estava bem quietinho na minha memória. No entanto, quando cursava a disciplina Arte e Política, na Pós-Graduação em Sociologia da UFPE, meu orientador (professor Paulo Marcondes) trouxe à tona alguns tópicos do texto de Giddens, ao frisar que Derrida não conseguiu se livrar de uma lógica estruturalista por completo e que o grande proponente para pensar o uso da linguagem era Ludwig Wittgenstein.
A remissão feita por Paulo me deixou instigado para ler Wittgenstein. E foi o que fiz. Comecei a lidar com os argumentos de Investigações Filosóficas (do segundo Wittgenstein) que deslocam o problema da linguagem para questões relacionais, tanto na instrumentalização quanto no uso contextual aplicado pelos atores sociais. Além disso, convenhamos: a narrativa de Wittgenstein é bem mais atraente do que a de Derrida. Enquanto o primeiro escreve com uma clareza incomparável, o segundo trunca bastante. Tem um amigo meu que diz: "o lance de Derrida era escrever coisas aleatórias pra depois rir em casa dos bestas que tentavam desvendar as suas passagens (risos)". Piadas à parte, achei importante compilar uns trechos de Estruturalismo, pós-estruturalismo e produção da cultura. Portanto, segue na íntegra algumas passagens de Giddens.
“Os escritos de Saussure promoveram uma ‘retirada para o código’ que, desde então, caracterizou os autores estruturalistas e pós-estruturalistas”.
“Os escritos de Derrida são, de certa maneira, o produto mais sofisticado da transição do estruturalismo para o pós-estruturalismo. Apesar de suas obras parecerem, à primeira vista, muito distantes do espírito anglo-saxão, há afinidades estreitas entre elas e as teses apresentadas pelo Wittgenstein da última fase. Ao impugnar a ‘metafísica da presença’, Derrida não se afastou muito, em objetivos ou métodos, da tentativa de Wittgenstein de espiaçar as aspirações da metafísica em Investigações Filosóficas. Para ambos os autores, os objetivos da metafísica não podem ser simplesmente reexaminados ou atualizados: têm de ser ‘desconstruídos’ e não ‘reconstruídos’, pois repousam em premissas enganosas”.
“Não existem essências a serem apreendidas por formulações linguísticas adequadas. Wittgenstein mostra-se tão firme quanto Derrida ao declarar que nem palavras nem sentenças pressupõem algum tipo de imagens mentais correspondentes que lhes deem significação, não mais que os objetos ou eventos do mundo exterior a que certas palavras podem ser aplicadas. Wittgenstein, com certeza, protestaria contra a ambição de Derrida de ampliar o conceito de escrita, mas concordaria com ele em que a língua não deve ser interpretada nos termos das significações subjetivas dos agentes individuais. A rejeição, por parte de Wittgenstein, da tese da ‘língua privada’ não é, obviamente, o equivalente direto da adoção, por parte de Derrida, da ideia de escrita, mas em ambas as instâncias, a língua é necessariamente uma produção ‘anônima’ e, portanto, ‘impessoal’”.
“Se Wittgenstein levou a sério a ideia de diferença, é assunto no mínimo discutível. Ainda assim, em sua elaboração da noção de jogos linguísticos, o ‘espacejamento’ de elocuções e atividades ocupa a posição central. Tanto o caráter retroativo quanto o caráter relacional da língua são ressaltados. Todavia, parece inequívoco que as linhas principais de desenvolvimento da filosofia wittgensteiniana são mais defensáveis que as elaboradas na esfera do pós-estruturalismo. Ao invés de promover uma ‘retirada para o código’, Wittgenstein procura compreender o caráter relacional de significação no contexto das práticas sociais. Sua resoluta dedicação à língua corrente tende a inibir preocupações com poesia, arte ou literatura. Mas não parece haver impedimento lógico visível à extensão das ideias de Wittgenstein para esses domínios, posto que a visão de língua e significação apta a ser extraída de sua filosofia (ou pelo menos de algumas noções básicas dessa filosofia) sejam mais sofisticadas que as oferecidas pelo estruturalismo e o pós-estruturalismo”.
“Para Wittgenstein, a significação dos itens lexicais deve ser buscada na mescla entre língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes na forma de vida. Se, sem dúvida, essa visão deixa de parte alguns problemas fundamentais de significação -, ela representa com certeza uma perspectiva bastante fértil”.
“O caráter insatisfatório da tese da arbitrariedade do signo, tal qual se difundiu pelas tradições estruturalista e pós-estruturalista, empobreceu radicalmente os trabalhos sobre significação que essas tradições poderiam oferecer. A preocupação com os significantes à custa dos significados é, em grande parte, uma ênfase reforçada lexicais deve ser buscada na mescla de língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes nas formas de vida. Se, sem dúvida, essa visão (tal qual o próprio Wittgenstein a formulou) deixa de parte alguns problemas fundamentais de significação implica a apreensão da veracidade de certas classes de declarações -, ela representa com certeza uma perspectiva bastante fértil”.
“Numa comparação entre Wittgenstein e Derrida, vale indagar por que este dá tamanha prioridade ao tema da escrita enquanto aquele pouco se preocupa com sua significação. O zelo de Derrida pela escrita está intimamente ligado à sua rejeição da metafísica da presença (...). Assim, na visão de Derrida, é um erro supor que a escrita seja um modo particular de dar expressão à fala. A escrita - no sentido lato que Derrida empresta ao termo - exprime mais claramente que a fala, a natureza relacional de significação no espaço e no tempo (...). Pode-se alegar que, de fato, Wittgenstein não arrisca o passo seguinte e, como Derrida (e antes dele Heidegger), considera o tempo e o espaço elementos constitutivos dos eventos e objetos. Penso, porém, que não há meio de entender a filosofia de Wittgenstein a não ser presumindo-se que isso faz parte da análise que ele desenvolve”.
“As limitações da visão de escrita, de Derrida, podem ser detectadas quando consideramos o que está implícito em sua ‘temporalidade’ e ‘espacialização’. Sua concepção de ‘escrita’ constitui um desdobramento direto da separação saussuriana entre o significante e o mundo exterior dos objetos e eventos. Derrida participa da ‘retirada para o texto’, o universo dos significantes característico das tradições do pensamento estruturalista e pós-estruturalista como um todo. Seu ‘texto’ é o texto do jogo das diferenças inerentes à significação como tal. Embora a noção de différance torne possível a Derrida apreender a temporalidade, seu tratamento do espaço é puramente nominal. Em outras palavras, embora fale de ‘temporalidade’ e ‘espacialização’, isso vem a dar no mesmo. A ‘extensão’ da escrita, pressuposta no espacejamento de sons e sinais, é o mesmo fenômeno constituído por sua diferenciação temporal. A imagem wittgensteiniana do caráter relacional da significação, tal qual expressa na organização de práticas sociais, não implica o colapso do tempo em espaço. Tempo e espaço não entram na estruturação da significação através da dimensão ‘plana’ da escrita - ainda que conceituada como proto-escrita -, mas através da contextualidade das próprias práticas sociais. Mas o que importa não é o ‘uso’ e sim o processo de usar palavras e frases nos contextos de conduta social. A significação não é construída pelo jogo dos significantes, mas pela intersecção da produção de significantes com objetos e eventos do mundo, enfocados e organizados pelo agente. A ser isso correto, como penso que é, a prioridade da escrita sobre a fala, postulada por Derrida, tem de ser questionada.
GIDDENS, A. Estruturalismo, pós-estruturalismo e a produção da cultura. In _____.; TURNER, J. Teoria social hoje. São Paulo: Unesp, 1999. p. 281-320.
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